Siriricas tristes – Carol Ito
Carol Ito transforma “Siriricas Tristes” em livro:
Além do novo formato, série que fez sucesso na internet ganha conteúdo inédito.
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Carol Ito transforma “Siriricas Tristes” em livro:
Além do novo formato, série que fez sucesso na internet ganha conteúdo inédito.
Depois de lançar, este ano, “Inteiro pesa mais do que metade”, sobre ansiedade e depressão, e a coletânea “Boy Dodói – Histórias reais e ilustradas sobre masculinidade tóxica”, a premiada jornalista e quadrinista Carol Ito encerra 2023 com “Siriricas Tristes – E outras (in)felicidades”, livro que reúne o trabalho criado por ela durante o isolamento social imposto pela pandemia de covid-19 e que fez muito sucesso principalmente a partir do Instagram da artista.
“Eu criei a série (Siriricas Tristes) sem imaginar muito bem qual seria a repercussão, eu só pensei que seria bom pra mim fazer uma coisa que fosse um desabafo sobre as angústias que eu tava vivendo, mas eu não pensava que a série ia ter tanta identificação assim. Mas eu acho que ela catalisou um momento que a gente tava vivendo e como mulher e como uma sobrevivente da pandemia eu acho que acabava tocando em temas sensíveis no momento. E não fala só de siririca, ela fala de política, fala de problemas da vida adulta, capitalismo, eu acho que é uma angústia que tá entalada e que atrapalha até nossos momentos de prazer”
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Por meio das redes sociais Carol recebeu muitos desabafos de leitoras, mas também se surpreendeu com o número de pessoas que ainda se incomodam a ponto de enxergar a masturbação, sobretudo feminina, como tabu. “E pensando na minha própria formação, eu tô com 31 anos e eu fui descobrir masturbação sozinha, em casa, com o travesseiro. Ninguém nunca me falou sobre isso nem que isso era possível. Então pra mim só existia masturbação masculina, punheta, e ok, mas mulher não tinha essa opção, sabe? Então, se for parar pra pensar, é coisa de 15 anos atrás, isso era totalmente invisibilizado, totalmente silenciado, um assunto que não existia, então acho que é positivo pensar que hoje eu consigo fazer uma série de quadrinhos sobre esse tema”.
Carol avalia que “Siriricas Tristes” é uma das séries mais autênticas que criou e explica que, para os novos leitores, o livro é um convite para entrar no universo íntimo de uma artista e de questões que permeiam muitas outras pessoas. “Podem esperar ironia, deboche, reflexão crítica, política. Eu busco ser autêntica nas coisas que eu faço, então é o melhor que eu posso entregar”, destaca.
Além de se reconectar com esse universo, o público já familiarizado com “Siriricas Tristes” pode aguardar conteúdo novíssimo: “O livro traz essa série, mais a série Novo Anormal, as melhores tiras da série Novo Anormal, da (revista) TPM, que é publicada desde 2020, e uma história inédita que se chama Manifesto Piranha-Brasil, que é uma história que tenta fazer uma releitura do Manifesto Pau-Brasil, do Oswald de Andrade, com viés feminista, de humor, falando sobre reescrever a história do Brasil a partir do nosso olhar de pessoas que sempre estiveram à margem das decisões políticas, da cultura, das artes, mas que agora se reapropriam dessa narrativa pra recontar essa história de diferentes formas”.
“Siriricas Tristes” ainda está em pré-venda, com envio previsto pela editora Veneta para 1º de dezembro, mas Carol Ito já faz planos para o próximo ano: “Pra 2024 eu penso em trabalhar em algo de reportagem, que eu acho que embora tenha publicado em vários lugares da imprensa, eu não tenho um material que reúne várias coisas ou que de fato seja focado em jornalismo em quadrinhos. Talvez eu entre nessa aventura aí”.
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A Carol Ito é habituè aqui a Mina de HQ. Se quiser saber mais sobre sua produção, da uma olhada aqui.
Primeira mulher a desenhar ao vivo no programa Roda-Viva da TV Cultura, Carol tem um currículo enorme trabalhando com jornalismo em quadrinhos e questões políticas em suas redes e em em outros veículos, o que lhe rendeu o prêmio Wladimir Herzog de jornalismo com uma matéria em quadrinhos sobre as mulheres na Cracolândia (SP) pela revista Piauí.
Também já falamos sobre o tabu em torno da siririca e da expressão da sexualidade feminina aqui.
Anne Ribeiro é jornalista, de Belém (PA). No perfil @pralerhq ela escreve sobre quadrinhos para debater política, questões de gênero e universo LGBT.
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